Avaliação da Resistência a Doenças

Avaliação da Resistência a Doenças
Avaliação da Resistência a Doenças 2017-07-20T14:49:10+00:00

Project Description

Avaliação de materiais genéticos quanto à resistência a doenças sob condições controladas de ambiente

As doenças florestais causadas por fungos e bactérias têm causado perdas de alto impacto econômico às plantações florestais. O controle dessas doenças é feito de modo preventivo mediante a seleção, propagação e o plantio de materiais genéticos resistentes. Na Clonar, a seleção de genótipos resistentes é feita por meio de inoculação artificial do patógeno na planta a ser testada, em condições controladas. No final do processo, avalia-se se as plantas são capazes de resistir em maior ou menor grau à ação do microrganismo inoculado.

Avaliamos a resistência de materiais genéticos para as seguintes doenças:

Murcha-de-Ceratocystis, causada pelo fungo Ceratocystis fimbriata Ellis & Halsted, representa atualmente uma das principais doenças da eucaliptocultura. Esse patógeno foi originalmente descrito como agente etiológico da podridão negra da batata doceIpomoea batatas e, posteriormente, relatado como agente causal de doenças em diversas espécies de interesse agrícola e florestal. O primeiro relato da doença no Brasil ocorreu em Crotalaria juncea nas regiões de Campinas e do Tietê no Estado de São Paulo. Devido às expressivas perdas causadas por C. fimbriata, o eucalipto tem sido considerado como o principal hospedeiro do fungo no Brasil, sendo que o primeiro relato desta enfermidade data de 1997 em plantios de eucalipto no sudeste da Bahia. Além da Bahia, a Murcha-de-Ceratocystis em eucalipto tem sido observada nos Estados de Minas Gerais, Espírito SantoMaranhãoMato Grosso do Sul e Alagoas, em plantios seminais ou clonais de espécies puras ou de híbridos interespecíficos. Recentes estudos baseados em marcadores moleculares e análises filogenéticas com diferentes isolados de C. fimbriata demonstraram a existência de alta variabilidade genética nas populações do fungo, o que pode dificultar o controle da doença, se a seleção para resistência não for realizada com isolados altamente agressivos e representativos das populações do patógeno. A doença reduz significativamente o crescimento da planta no campo e o rendimento de celulose de clones suscetíveis cultivados em regiões favoráveis à infecção.

Foto: Acelino Couto Alfenas

ferrugem, causada por Puccinia psidii, incide em espécies da família Myrtaceae e encontra-se distribuída em diferentes continentes, onde tem causado prejuízos econômicos a plantios comerciais de eucalipto e constituído uma constante ameaça à biodiversidade na Austrália e no Havaí (EUA), onde a flora nativa é constituída principalmente por mirtáceas. O patógeno infecta uma ampla gama de hospedeiros além de eucalipto, incluindo goiabeiraaraçazeirojambeirojabuticabeirapitangueira entre outros. No Brasil, é considerada uma das doenças mais importantes na cultura do eucalipto podendo incidir em condições de viveiro e campo. Esporos de ferrugem são facilmente dispersos pelo vento e as condições ideias para infecção incluem temperaturas entre 18-25°C e períodos de molhamento foliar superiores a 6 h por 5-7 dias consecutivos. Dependendo da severidade, a doença pode reduzir significativamente o crescimento e a produtividade de clones suscetíveis plantados em regiões favoráveis à infecção.

Mancha-de-Calonectria ou Mancha de Pteridis, causada por Calonectria pteridis, é uma das principais doenças fúngicas que incidem em plantios comercias de Eucalyptus spp. No Brasil, principalmente em regiões de clima quente e úmido, favoráveis à infecção. No entanto, trata-se de uma doença de ampla distribuição mundial, ocorrendo em praticamente todos os continentes. Embora outras espécies de Calonectria tais como, C. candelabra, C. ovata, C. morganii e C. ilicicola também possam induzir a doença no campo, C. pteridis é a espécie predominante em plantios de eucalipto no Brasil causando a mancha foliar e desfolha em condições de campo. A intensa desfolha induzida pela doença reduz o crescimento e a produtividade de clones altamente suscetíveis plantados em regiões favoráveis à infecção.

A Mancha-de-Xanthomonas ou Mancha Bacteriana do eucalipto tem sido atribuída a várias espécies de bactérias, como: Xanthomonas axonopodis, Pseudomonas cichorii, Pantoea ananatis, X. campestris pv. eucalypti e outras não identificadas. Entretanto, estudos recentes com amostras sintomáticas de plantas de eucalipto oriundas de várias regiões do Brasil, tem revelado que X. axonopodis é a espécie predominante. A doença é frequentemente encontrada em viveiro e às vezes no campo. A presença de molhamento foliar e temperatura entre 26 e 30 °C são ótimas para o estabelecimento de epidemias. Todavia, em condições de viveiro, onde as mudas são sistematicamente irrigadas por aspersão ou mantidas a céu aberto a doença é mais comum e severa. Dependendo da intensidade da doença, as plantas infectadas devem ser descartadas o que pode acarretar perdas econômicas significativas como as computadas no período de 2003 a 2008 em vários viveiros florestais do país, atingindo a cifra de US$ 8 milhões (aproximadamente R$25 milhões)

A Murcha e Seca-de-ponteiros causadas por Erwinia psidii é uma das principais doenças emergentes do eucalipto no Brasil. A doença foi relatada pela primeira vez no Uruguai e na Argentina em 2011 e, subsequentemente, em 2014 no Brasil. Além da seca-de-ponteiros foi observado também o sintoma de murcha em plantios comerciais de eucalipto nos estados do Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Em determinados locais e épocas do ano a doença pode incidir em quase 100% das plantas levando à perda da dominância apical e possível redução do crescimento, gerando prejuízos para a cultura.

A Murcha Bacteriana, também conhecida Murcha-de-Ralstonia causada pela bactéria Ralstonia solanacearum foi relatada pela primeira vez em eucalipto no início da década de 1980, em Lagoa da Prata -MG. Posteriormente, a doença foi constatada nos estados da Bahia, Pará, Espírito Santo, MaranhãoSanta Catarina, Alagoas e Goiás. Atualmente, a Murcha-de-Ralstonia constitui, potencialmente, uma das principais doenças da cultura, principalmente, em virtude de sua natureza sistêmica, dos danos causados, da alta variabilidade do patógeno e de características do patossistema, que dificultam o seu controle. No sistema atual de produção de mudas clonais de eucalipto, a coleta intensiva de brotações para estaquia e a realização de podas drásticas em minicepas induzem a morte de raízes, o que resulta na sua debilitação fisiológica e, por consequência, favorece a infecção de R. solanacearum em cepas clonais. Em 2005, a Murcha-de-Ralstonia provocou elevadas perdas em diversos viveiros clonais de eucalipto do Brasil, totalizando um prejuízo superior a US$ 27 milhões (aprox. R$ 86 milhões). Além das perdas em viveiro, o escurecimento do lenho reduz o rendimento de celulose.

A Mancha de Teratosphaeria ou Teratosphaeria Leaf Disease (TLD) é uma das principais doenças foliares na cultura de Eucalyptus globulus e E. nitens. A doença é causada por diversas espécies do gênero Teratosphaeria, sendo relatada pela primeira vez na Austrália, a partir de onde o fungo provavelmente dispersou-se para outros países. Teratosphaeria nubilosa (Cooke) Crous & Braun (= Mycosphaerella nubilosa), T. cryptica (Cooke) Crous & Braun (= M. cryptica) e T. pseudoeucalypti Andjic, T.I. Burgess são consideradas as espécies mais agressivas em eucalipto. É uma doença relativamente nova no Brasil, e foi relatada em E. globulus no estado do Rio Grande do Sul sendo atribuída a T. nubilosa. Posteriormente, outras sete espécies foram relatadas associados com TLD no Brasil: T. suberosa, T. suttonii, T. ohnowa, T. perpendicularis, T. sudafricana, T. flexuosa e, mais recentemente, T. pseudoeucalypti. À exceção de T. nubilosa e T. pseucocalypti, as demais espécies de Teratosphaeria tem sido relatada associadas a machas foliares, no Brasil, sem, contudo, ter provas de sua importância patogênica. A TLD ocorre em várias espécies de eucalipto, variando de acordo com a espécie do patógeno. No Brasil, tem sido encontrada principalmente em E. dunnii, E. globulus, E. benthamii, E. grandis, E. nitens, E. saligna, E. urophylla e seus híbridos. Despendendo da espécie do patógeno, a infecção pode ocorrer em folhas mais velhas ou jovens, mas geralmente a infecção ocorre em folhas novas. A infecção foliar induz a desfolha prematura da planta no campo. As folhas jovens caem mais rapidamente que as adultas, devido à intensidade da doença, de modo que as folhas adultas permanecem por mais tempo nas árvores, constituindo importante fonte de inóculo, além das folhas infectadas caídas no chão. A doença é sazonal, com ampla distribuição geográfica.  As condições favoráveis podem variar com a espécie, mas em geral, são favorecidas por temperaturas entre 15-25°C e presença de molhamento foliar. A intensa desfolha reduz o crescimento das plantas e tem limitado o plantio de espécies e clones suscetíveis em regiões favoráveis à doença.